lua CMA

Cada dia, ao levantar, decidimos existir. Às vezes, ou muitas vezes, não damos por nada. Não digo que temos que ter a consciência disso (“estou a decidir existir”). Não. É outra coisa. É como fazer ou não ginástica ou respirar. Ou está entranhado ou não. Há mil coisas para tratar.

Estou sim a falar daquele instante em que damos por nós, nos queremos, ou não, e aos nossos, e rumamos. Com cara de espanto, ou não, à surpresa da vida. As nuvens que se atravessam? Claro. Mas passam e não tapam (não é que eu queira nuvens). Às vezes demora anos. E dão-nos coisas fantásticas.

E há dias de outras decisões que exigem uma coragem diferente. Diante deste muro viro à direita ou à esquerda? Mais uma vez é o coração. Coragem quer dizer “ação do coração”. Ao pô-lo nas mãos ele sabe o que lhe corresponde. Em última análise o mérito da escolha está na proporção do gesto em relação às “estrelas”. Qual a curva que me chega mais às estrelas? Isto para dizer que em última análise é a atratividade que me puxa, aguça o desejo e me torna livre; me satis-FAZ. Como o ar que respiro. Com a natureza, em geral (eu incluída) é assim. A diferença em relação à natureza que não é pessoa, é que eu me alegro de ser muito bom tudo isto, e posso agradecer. Não estou de modo nenhum a dizer que sou melhor que, por exemplo, um cão.

Coragem não é então musculação, voluntarismo, força de vontade. Não é preciso por nada de lado. Coragem é tudo incluir, abraçar. Amar. Melhor, é seguir as estrelas que me chamam, minuto a minuto.

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