sintrense 2012  L

A vida um BOOK FACE

O FB é um facto “incontornável”, palavra usada já há uns anos nem sempre bem aplicada. E os factos não serão todos incontornáveis? É assim como dizer de uma coisa : “interessante”! E nem um adjectivo, que é coisa que pode comprometer. E as opiniões bem podem mudar todos os dias. “Belo”, por exemplo, caiu em desuso. Todos têm uma ideia do que o FB é uma coisa, que existe. No fundo é isto.
Escrevo estas linhas porque entendo que ele tem um valor específico, porque estou implicada, porque me interessa, e quero partilhar o que penso. E porque tenho ouvido opiniões de quem “não está”, nem quer estar, o que é mais que legítimo. O que não é legítimo é – e seja em relação ao que for – tomar uma posição com base na ignorância.
Adianto já é que não acho nada que seja uma rede. Redes só de pesca ( e o FB reduz-se muitas vezes apenas a isso). E que o acho uma preciosidade, como tudo o que é do homem. E como tudo o que é do homem, pode reduzir-se a uma grande desumanidade. A pergunta do presidente americano – sempre invocada por muitos com razões várias – é para me levar longe de maniqueísmos simplistas. Precisa contudo de uma correção.

O País é para a Pessoa. Não há bem para todos, ou comum, se não for para cada pessoa. Agora, não é “skyfall”! É também preciso levantarmo-nos e arregaçar mangas. O mesmo com o FB: é para as pessoas e feito pelas pessoas, dentro, ou aquém, das suas possibilidades. Mas como é uma realidade complexa, diferente de tudo o mais, específica, tem como característica uma elasticidade tal, que é impossível defini-lo. Principalmente porque as pessoas que o integram o são – indefiníveis – e usam-no com as finalidades mais díspares. A mesma pessoa pode aliás também usá-lo de formas diferentes, segundo o interesse dominante em determinada circunstância. Depende do dia, da hora, do mood. Mas há estilos, tendências de facebookianos.

A preciosidade do FB está em ter “à mão” o humano, no mais e no menos. A mim faz-me caminhar próxima. Faz-me conhecer. Alarga-me. E “estou”, aliás como sempre, sem rede. Afinal, tudo o que faço é sempre a “mesma coisa”: viver. Seja a esfregar o chão, ajudar os deveres dos miúdos, divertir-me. Não parece mas é tudo o mesmo: um trabalho do eu para ser mais eu. Influenciar? Só a mim. Cada um faz o seu trabalho e vira-se para o que lhe interessa. No FB e fora dele.

Não tenho intenção nem consciência de me mascarar, seja onde for. Claro que “jogo” a vida, e aqui há falsetes. Mesmo assim tento o bem comum. Devo confessar que o sucesso é mediano, mas não me escandalizo. A palavra escândalo significa obstáculo. Ou seja mesmo os fracassos quero vê-los como asas para ir mais longe, seja onde for. Os medievais diziam que a natureza – onde eu me incluo – era um BOOK. Pois. E que a pessoa era aquele nível do BOOK no qual a a natureza era vista como tal, espelhada: uma FACE. A vida é então, também, um BOOK FACE.

Ask not what FB can do for you, ask what you can do for FB . Então vamos fazer um pelo outro. Pessoas com Pessoas.

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