Parar
foto de A Refinaria
“A primeira diligência da alma que escuta o apelo de Deus é descer nela mesma. Desce! Grita-lhe o Verbo Eterno, como Nosso Senhor a Zaqueu, porque hoje preciso de ficar em tua casa. Desce do teu poleiro, dessa árvore que faz lembrar ao mesmo tempo uma figueira estéril e a Árvore da Ciência do Bem e do Mal, recupera o teu tamanho natural, inclina o teu coração para mim e tudo o que em ti é capaz de escutar, ajoelha-te, renuncia por momentos à ideia de te mexeres. E a segunda saída, depois de termos encontrado Deus em nós, é sair com Ele, seguir o Filho que regressa ao seu Pai, obedecendo a essa voz que diz às Virgens da Parábola: Saí! – Tu, sai! Sai Jesus! Com todo o teu povo que te está submetido: depois disso nós sairemos. Eis a nossa religião, minha filha, que não é uma religião de permanência em nós próprios, mas de ruptura connosco mesmos, de movimento, de saída, de passagem em direcção a Deus”.

(em Capítulos VIII e IX do livro “Au milieu des Vitraux de L’Apocalypse”, livro póstumo de comentários ao Apocalipse começado em 1928 e dado por terminado em 1932, publicado em 1966, editions Gallimard.
Tradução Maria João Brilhante)

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