Coleção de cem novelas escritas por Boccaccio entre 1348 e 1353? Não. Estimo Pasolini porque de cada filme seu – e se quero também ser realizadora de mim- ganho um olhar que me deixa ver tudo com todas as cores e matizes. As mensagens dos filmes? Deste Decameron, por exemplo, não interessa. Não há. Pasolini não era ateu, e não foi ele que nos mostrou naquela Maria a encarnação – a preto, branco-, e naquele José a fé, a esperança e a caridade? O melhor filme sobre O Incarnatus est?

A beleza, verdade, de cada imagem fala por si, e a indiferença, seja ao que for, morre. Descalça. E cada dia pode ser mesmo uma revolução de mais de 360º. Ele olhava tudo, o homem, dentro e fora (até sem esta dicotomia, tão pobrezinha – não há dentro e fora, , simplesmente), sem qualquer obstáculo. Sem escândalo. Tudo valia, porque Pasolini via que cada um, eu, tu, cada pessoa, é um grito, e um sorriso, a trepar. Roubei-lhe a Câmara, e agora estou lixada.

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