Gin1

 imagem de Sam Brown do blogue Exploding Dog

Canção do engate, ou se a vida nos der gin há que fazer um gin-tónico!

Papageno*

O desconhecido: A menina está perdida?

A menina: Não, porquê? Pareço?

O desconhecido: De todo… Eu é que pensei que a teria encontrado…

A menina: Mas andava à minha procura?

O desconhecido: Sim, ando a procura da menina…

A menina: Mas conhece-me?

O desconhecido: Sim, é apaixonante!

A menina: Estamos a falar há menos de um minuto e considera-me apaixonante?

O desconhecido: Tem razão… talvez seja por estar apaixonado por si…

A menina: Mhh….

O desconhecido: Não me leve a mal, sim, há muito de si que não conheço, mas o que conheço apaixona-me: gosta de um livro estranho e é esquisitinha com o  gin-tónico, e depois são os seus olhos, ou o será o seu sorriso, ou talvez o peito que se adivinha perfeito? Não pense que sou doido, ainda mal nos conhecemos e já estou a descrever o seu peito…

A menina: Doido? De todo… Doida sou eu, e não é por estar a ter há cinco minutos a conversa mais surreal da minha vida…

O desconhecido: E é isso que a torna tão amável…

A menina: É… Amável? De todo… Tenho mau feitio…

O desconhecido: E mesmo assim eu amo-a… Se calhar é mesmo por esse mau feitio, não deve ser só, mas também…

A menina: Ama-me? (riso)

O desconhecido: Sim, apaixonei-me e percebi que é uma mulher facilmente “amável” e por isso amo-a… já lhe tinha dito… Sim, peço desculpa chama-la de menina, de facto é uma mulher… Quer ser a minha?

A mulher: Em cinco minutos apaixonou-se e agora ama-me? Quer casar daqui a dez?

O desconhecido: Bem disse que era doida! (riso) A essa hora acha que faz sentido? Não estamos em Las Vegas… Sempre podemos ficar noivos?!

A mulher: Nem namorados somos e já quer ser noivo…

O desconhecido: Tem toda a razão, não faz sentido nenhum… Já passaram mais dois minutos e ainda não a pedi em namoro… Acho que o noivado terá que esperar até aos dez minutos… Quanto ao casamento, terá que ser paciente, acha que pode esperar até aos quinze? Se bem que ainda falta tanto… uns sete minutos… E eu já estou em polvorosa para fazer de si a minha mulher…

A mulher: E depois?

O desconhecido: Como e depois? Vamos ter filhos é claro! Quer ter filhos? Tem razão, devíamos falar nessas coisas antes do casamento… Pode não querer ter… Ou não querer ter comigo… Mas aí também não diria um “Sim”, não é? Quer ter filhos?

A mulher: Já?

O desconhecido: Parece que demora pelo menos uns meses…

A mulher: Pois, não há que ter pressa…

O desconhecido: Sim, temos que fazer tudo com calma… Quer dizer, despachamos toda essa parte protocolar… Depois podemos ser felizes, com toda a calma…

A mulher: Já passaram quinze minutos… e continuamos sem uma relação definida… Nem sequer somos amigos… Costuma apaixonar-se assim muitas vezes sem nem sequer perguntar o nome?

O desconhecido: Nunca… Não preciso… é linda e eu amo-a… Além disso fez de mim um homem feliz…

A mulher: Ainda não me deu esse prazer…

O desconhecido: Tem piada… Não, não é piada, é graça… Vê, além de tudo é graciosa!

A mulher: (Já a rir às gargalhadas) E não me acha ordinária?

O desconhecido: De todo… Completamente incomum! E eu faço-a rir! E todas as mulheres querem um homem que as faça rir! Portanto sou claramente o seu homem…

A mulher: Mhhhhhhhh… O meu homem… gosto de como isso soa… O meu homem… Tenho que ir-me embora… (sorriso)

O desconhecido: Promete não se perder 100 mim por perto? Morreria de desgosto se outro alguém a encontrasse… E tudo porque não trago uma aliança comigo… Assim todos saberiam que é minha e não a procurariam mais…

*Papageno escreve à 2ªfeira 

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