Van Gogh 13

Borboletas da minha primavera…

 Papageno*

Diz o Vinícios que “As amarelinhas, São tão bonitinhas!”, referindo-se às borboletas… Ah se são… Que o diga a Meme dos Cem Anos de Solidão de Garcia Marquez, para quem as borboletas amarelas eram a antevisão de Mauricio Babilónia que por elas deu a “vida” após ter sido vilmente ferido quando levantava as telhas para entrar na casa de banho onde ela o esperava “nua e tremendo de amor, entre os escorpiões e as borboletas, como havia feito quase todas as noites dos últimos meses. Um projéctil incrustado na coluna vertebral reduziu-o à cama pelo resto da vida. Morreu de velho na solidão, sem uma queixa, sem um protesto, sem uma só tentativa de deslealdade, atormentado pelas lembranças e pelas borboletas amarelas que não lhe concederam um instante de paz e publicamente repudiado como ladrão de galinhas.”

Para mim é com elas que chega a primavera… E é estranho, porque o amarelo é a cor que menos gosto, mas as suas asinhas aguentam-na bem… Também não gosto do sol, mas o da primavera faz-me pensar se são essas as borboletas que batem as asas no estômago? Pela sua beleza, e pelo amor que lhes aprendi a ter acho que sim… Lembro-me que são efémeras, que algumas não viverão mais de um dia enquanto borboletas, e penso se será por isso que representam a paixão?

Este ano ainda não vi borboletas amarelas… Também não houve primavera, o inverno transformou-se em verão, e lá se foi o efeito borboleta, e ela não bateu as asas para mudar o mundo no outro lado do planeta…

Contudo, as minhas borboletas amarelas, num constante desafio à meteorologia e até à sua própria natureza, continuam a bater, furiosamente, as suas frágeis asas dentro do meu estômago, numa primavera permanente, num movimento perpétuo, obstinadas contra a teoria do caos e empenhadas em abalar um mundo que por vezes parece estar no extremo oposto do globo terrestre.

na imagem: Van Gogh, Butterflies and Poppies.

*Papageno escreve à 2ª feira

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