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Logo hoje que eu escrevi sobre homens maduros no online do expresso http://expresso.sapo.pt/homem-maduro-procuro-de-alcobaca-a-caracas-no-geres=f815777 o “MA-DURO mas não parece ” ex Presidente Mário Soares dá uma longa entrevista no Jornal o Publico e dispara contra todos.

Obrigada Joana pela reflexão que me enviaste e que posto abaixo.
Ao falar de Durão Barroso, diz que o mesmo não tem futuro e acrescenta que a sua gestão foi desprestigiante para Portugal. Insiste que nunca apoiou a candidatura do mesmo porque não reconhecia como legitima a justificativa de apoio a uma candidatura na base do que dizia toda a gente , isto é “Durão é português” . Soares conclui dizendo que para Soares há apenas os europeus. Mas sim, vai adiante, “Portugal tem futuro” porque tem uma história , e, se cuidar das “coisas” (ups) oceânicas, investir na Universidade dos Açores e estudos do Mar. Lamentavelmente, conclui: ” ninguém vai lá.”
Tendo em vista que o PS governou Portugal por XXX consecutivos de 200…a…200…O que nos perguntamos é se o diagnostico de Soares é compartilhado pelo seu Partido ou se também no PS há uns dois terços que não o apoiam e não coincidem com os seus diagnósticos, levando-o a tornar-se camarada do Pacheco Pereira por pura falta de sintonia com o seu partido.

Ao analisar o panorama brasileiro Mário Soares informa também  que falou com o ex Presidente Sarney “hoje mesmo” solicitando um diagnóstico sobre as recentes multidões que tomaram as ruas brasileiras. Diz-nos que Sarney confessou a sua falta de clareza sobre os recentes episódios, mas que são manifestacôes pacificas. Sarney e Soares não são os únicos a navegarem em “Neblina”. Também o ex candidato a governador do Rio de Janeiro, ex-exilado politico da ditadura militar brasileira, Fernando Gabeira retoma o tema da neblina:
“Aqui no Brasil, vemos apenas cartazes com algumas lutas alcançáveis, como por exemplo os 20 centavos de aumento, a PEC 37 que em caso de votação será derrotada.
A falência dos partidos, o combate à corrupção e a maneira mais racional de usar o dinheiro público para melhorar os serviços, todos são temas que devem-se desdobrar no tempo.
Navegar na neblina não é estranho para mim. Tanto que escrevi um livro com esse título. Mas essa neblina é muita densa e se move com rapidez.
É um momento singular de manifestações populares no Brasil moderno. Há uma cisão entre os que conduziram o processo desde o fim da ditadura e os que hoje estão na rua pedindo uma democracia mais real.”
Gabeira vai adiante e completa:
“O discurso de Dilma Rousseff é facilmente desmontado. Não deviam colocá-la diante do teleprompter para ler aquilo.
Achei a Dilma um pouco perdida(…).
Ela precisava entender o momento das ruas e dizer com clareza que estava equivocada, que o Brasil não é aquele país que ela descrevia.”

Ao assistir ao video e ler a entrevista de Mário Soares achei que ele fazia algumas observações que atendiam a mesma lógica do que dizia Soares. Da mesma forma em que ele acredita piamente na incompreensão do fenómeno, segundo a narrativa do Presidente Sarney, não estará a procurar informações apenas em canais que já deixaram de ter vida útil?
Na neblina em que caminha Gabeira, há um apalpar da realidade das ruas, de uma escuta mais ampla do fenómeno politico através das reivindicações nos cartazes e na nova forma de reivindicação saída das redes de comunicação social.
Soares talvez precise encontrar uma pluralidade maior para analisar o que se passa em Portugal. E não engolir a narrativa dos velhos companheiro. Não são eles mais a dominar a cena. A cidadania em Portugal também se expressa em outras esferas, para além de sindicatos e partidos.
Senão, correra o risco de não compreender que no Brasil a politica de incentivo ao consumo, que hoje aparece aos olhos de muitos como panaceia de todos os males pelos quais passa a Europa de uma politica demasiado austera , pode ser ela também a causa de todos os males.
Como disse Fernando Gabeira: ” ela passou o tempo estimulando a compra de carros, reduzindo impostos e prolongando as prestações. Este é um modelo falido.
É muito tarde para falar em plano de mobilidade urbana sem reconhecer esta realidade e sem compreender como, através de sua política, ela degradou a mobilidade urbana.” E assim, compreender que o povo foi para as ruas por muito mais que vinte centavos!

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