EmaDe um dos mais belos filmes de Manoel de Oliveira destaco hoje a cena em que Ema está de costas junto à Gaiola. Os cabelos compridos antecipam o seu rosto que já conhecemos (identidade/perspectivas), e que é de uma beleza extraordinária, expectante, reflectindo ao mesmo tempo a procura e a resposta (ausência); vira-se (presença); nesse virar-se acontece, sempre excedendo, o que esperávamos, e quase sem pensar, Ema diz as palavras que Agustina escrevera no livro que lhe serve de guião ao filme: “Vou-me casar e nem gosto dele”; é de registar o seu olhar dirigido ao todo, ao horizonte, reflectido no seu rosto, horizonte que ela desconhece mas ao mesmo tempo conhece porque espera alguma coisa, mas uma alguma coisa que não pode desiludir, e que, por isso, de certa forma conhece; isto é, sabe pelo menos o que não quer; tal como Régio no Cântico Negro, não duvida: não sei por onde vou, sei que não vou por aí; o casamento com Carlos não encerra uma correspondência que ela pressente algures, mas da qual ignora os contornos; fica a espera.

resumo do filme: http://www.youtube.com/watch?v=hM9ey8jRPIs

o filme todo

–  acena que refiro vem no minuto 45